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A GOSTOSA DA GAFIEIRA - Parte 01

Havia tempos que Alba não se arrumava tanto para sair. Demorou a se decidir com qual roupa iria à gafieira do bairro. Finalmente, optou por um vestido bem colorido, combinando com o seu estado de espírito naquela noite. Sorriu satisfeita, frente ao espelho. Observou-se nele de perfil. Sua barriga já estava muito pronunciada, indicando a gravidez de seis meses. Sentia-se gorda, com o rosto redondo. E uns pneuzinhos espalhados pelo corpo também delatavam a sua falta de atenção para com a balança. Mas, naquela noite, ela não iria encucar com isso. Só queria se divertir um pouco, esquecer que o pai da criança a abandonara. Não que gostasse tanto dele. É que se acostumara a ser dependente, já que não tinha mais ninguém. Era filha única e a mãe falecera no ano anterior. Aí, ela se mudara de mala e cuia para a casa do noivo.

Como nunca quisera saber de trabalho, acostumada a viver da mísera pensão que a mãe recebia, logo sentiu-se um estorvo para o companheiro. Este sempre reclamava de que seu mixo salário não dava para o sustento dos dois e que ela devia fazer algo que ajudasse nas despesas. Quando ela já começava a admitir a necessidade de procurar um emprego, engravidou. Foi aí que sua vida se tornou um inferno. O casal brigava o tempo todo. Então, um dia ele chegou em casa dizendo que não mais a queria. Que ela juntasse seus panos de bunda e voltasse para a casa abandonada desde que a mãe falecera. Ele ficaria dando alguma grana até que a criança nascesse. Mas depois, ela que se virasse, já que não combinara com ele para ter aquele filho. Que trabalhasse para sustentá-lo sozinha.

Alba deu uma última conferida frente ao amplo espelho do quarto da humilde casa onde morava, depois de passar batom nos lábios. Pegou sua bolsa, apagou as luzes e saiu. Confiante de que naquela noite seria feliz. Mataria a saudade do tempo em que costumava dançar gafieira no clube do bairro, antes de conhecer o noivo com quem ficaria por seis longos anos. Depois que a mãe adoecera, parou de frequentar o clube para cuidar dela. O noivado fora ideia da mãe, que queria vê-la casada antes de partir. Não deu.

Pagou o ingresso ao clube com os últimos trocados que sobrara da "pensão" recebida do ex-noivo. Mas estava confiante. Achava-se uma mulher bonita e logo recuperaria aquela grana, aceitando dançar com cavalheiros. É que, pelo regulamento do clube, a dama recebia uma ficha de quem a chamasse para dançar. Essa ficha seria trocada por dinheiro, no final da festa, como se ela fosse uma funcionária da agremiação que ganhasse para divertir seus clientes. Logicamente, esses clientes pagavam para dançar com suas parceiras. E não era admitido à dama se recusar a dançar com quaisquer cavalheiros, sob pena de ser expulsa do clube assim que fosse denunciada. No caso de ser homem, a regra era a mesma: se fosse convidado a dançar por uma dama, ela é quem lhe daria uma ficha por música dançada.

Para decepção da moça, nenhum cavalheiro, até então, a tirara para dançar. Uns até olhavam com interesse para ela mas, quando percebiam sua barriga pronunciada, desistiam. Alba chegou até a insinuar-se para alguns dos frequentadores da gafieira, em vão. Estava com sede, doida para tomar uma água mineral ou um refrigerante, mas não tinha grana para isso. Arrependeu-se de ter ido. Aí, avistou o negrão.

Percebeu-o assim que ele apontou na portaria. Alto, bonito e consciente da sua beleza. Andar felino de tigre enjaulado. Mãos grandes e fortes. Alba notou que ele arrancava suspiros das mulheres por onde passava no salão. Aí o cara olhou para ela e caminhou diretamente em sua direção. O clube estava lotado e ela estava sentada sozinha, numa mesa de quatro lugares. O negrão perguntou, com um belo sorriso no rosto, quando se acercou dela:

- Posso?

Embevecida com a beleza dele, ela não entendeu a pergunta. Ele repetiu-a, complementando:

- Posso ocupar uma dessas cadeiras vazias, sentando-me à sua mesa, linda mamãe? Não há mais lugares desocupados no clube...

- Oh, claro, claro - respondeu ela, ainda maravilhada pela beleza dele - eu estou sozinha.

Ele olhou-a de cima a baixo, mas não o fez de maneira acintosa. Fê-lo naturalmente, com um sorriso de aprovação no rosto. Ela ruborizou. Então, ele voltou sua atenção para o meio do salão, como se procurasse alguém. Avistou o garçom e fez-lhe um sinal. O cara acercou-se sorridente, cumprimentando-o:

- Graaande dançarino! Como vai essa força? - perguntou o garçom, apertando a mão do rapaz.

- Indo. Não tenho do que reclamar. Me traz uma cerva bem gelada?

- Claro, cara. A mais gelada que eu encontrar - e, olhando para Alba - também posso te conseguir uma mesa, se quiser estar sozinho.

- Não, a bela senhorita aqui foi muito gentil em me ceder um lugar.

O garçom falou baixinho ao ouvido do negrão:

- A nega aí tem dono. Conheço o cara e sei que ele é ciumento. Mas, se houver bronca, estou do teu lado pro que der e vier.

- Obrigado, amigão, mas eu resolvo minhas próprias broncas - respondeu o bonitão no mesmo tom de voz, para que Alba não escutasse.

O garçom voltou pouco depois com uma cerveja fumaçante de tão gelada. O negrão agradeceu e entornou o líquido no copo, engolindo-o de uma só vez. Só depois, bebericou a cerveja com um sorriso satisfeito. Não ofereceu nem um gole a Alba, que ficou de água na boca ao ver a cerva tão gelada. Conteve-se para não pedir um copo ao rapaz. Este olhou em volta, sempre seguido de olhares femininos. Uma bela mulher se levantou da mesa, do outro lado da pista de dança, e caminhou resoluta em direção a ele.

- Vamos? - ela perguntou com um sorriso escancarado.

Ele não respondeu verbalmente. Ofereceu-lhe gentilmente o braço e levou-a ao centro do salão. Sua pose era muito elegante, quando começou a bailar com ela. Muita gente passou a prestar atenção ao casal que dançava maravilhosamente bem, ao som de uma música típica de gafieira. Alba estava maravilhada com a elegância e a técnica de dança dele. Destacava-se dos demais dançarinos que ora estavam no salão. Ao fim de mais duas músicas, separaram-se. Mas a mulher fez questão de trazê-lo de volta à mesa.

- Sua companheira? - perguntou a mulher, referindo-se a Alba, que prestava atenção à conversa.

- Só de mesa. Cedeu-me gentilmente um lugar.

- Então, eu posso beijá-lo diante dela - ela disse toda insinuante.

- Não faz parte do acordo. Sou pago apenas para dançar com você.

A mulher fez um muxoxo e deu meia volta, mas o jovem a advertiu:

- Não está esquecendo de algo? Foram três partes.

Ela virou-se de má vontade e tirou três fichas da bolsa. Entregou-as ao negrão, que agradeceu. Depois, ela voltou para a mesa onde estivera sentada. Havia mais duas mulheres em sua companhia. Esteve confabulando com elas, que olhavam de maneira reprovadora para o rapaz. Mas ele deu-lhe as costas, voltando a bebericar sua cerveja. Só então, deu-se conta de que estava sendo observado por uma coroa. Ela piscou-lhe um olho e ele assentiu com a cabeça. Pouco depois, bailava com ela pelo salão.

Alba não aguentava mais de tanta sede. Tomou coragem e pediu um copo ao garçom que passava por ali naquele momento. Depois, encheu-o da cerveja do negrão e sorveu mais da metade de um só gole. Não quis nem olhar em direção ao dançarino, temendo que ele tivesse visto sua ousadia. Não satisfeita, voltou a encher o copo e tomou novo gole. Ainda tinha a cabeça baixa, saboreando a "loira" gelada, quando percebeu uma mão tornando a despejar o líquido gelado em seu copo. Ficou surpresa. Era o garçom.

- Ele não gosta de gente filando sua cerveja. Portanto, trouxe uma para você.

- Oh, desculpa, tá? Eu vou aceitar tua cerveja. Estava com muita sede e teu amigo não me ofereceu nem um gole. Não parece gentil nem educado como você.

- Ele está sendo, sim, gentil em não oferecer bebida para uma grávida. Faço isso porque conheço teu noivo e ele me disse que você costuma beber. Ele sabe que você está aqui?

- Ele não é mais meu noivo. Nós nos separamos.

- Então, está disponível?

- Como assim?

O garçom esteve mudo, olhando para Alba. Como se estivesse medindo as próximas palavras. Depois, disse:

- Eu sempre tive tesão por grávidas. Se me esperar largar, te levo para um motel e a gente se diverte o resto da noite.

Alba ruborizou. Depois, reagiu com indignação. É que não tolerava receber cantadas de amigos de namorados, e o garçom já admitira conhecer-lhe o ex-noivo. Alba pensou que seria capaz até de trepar com um estranho, mas com ele não.

- Não vim aqui atrás de macho, senhor. Então, me respeite. E respeite minha gravidez.

O garçom ia responder algo de forma agressiva, quando ouviu atrás de si:

- Algum problema, amigão? Estão discutindo?

- Essa puta andou tomando tua cerveja, e eu sei que você não gosta disso. Reclamei e trouxe uma para ela, mas ela está se fazendo de fresca comigo.

- Nada de brigas. Eu pago a cerveja dela. Traga outra para mim, por favor.

O garçom saiu resmungando, mas logo voltou com o pedido. Alba agradecia a gentileza, embora dissesse não dever aceitar a bebida do negrão. Este insistiu. Ela acabou cedendo, contanto que dividisse o líquido com ele. Disse não ser acostumada a beber e temia ficar embriagada com pouco. Logo, estavam conversando como se fossem velhos amigos. Aí tocou uma música romântica e o negrão a chamou para dançar. Dançaram várias músicas seguidas e ela estava maravilhada. Como ele dançava bem!

- Ainda não nos apresentamos. Meu nome é Dalmo. E o seu?

- Albanize. Mas todos me chamam de Alba. Não fica encabulado de estar dançando comigo com esse barrigão?

- Não. Apenas me incomoda o fato de não podermos tirar um bom sarro dançando - respodeu ele com um sorriso malicioso nos lábios.

Ela riu gostosamente da insinuação. Ele se referia à diferença de altura entre os dois. A barriga ficava impedindo a aproximação do rapaz. Então, ela se pôs a dançar nas pontas dos pés e inclinou-se um pouco para a frente. Com isso, encaixou-se bem, sentindo o volume dele tocar-lhe a região genital. Esse volume aumentou sensivelmente em pouco tempo. Mais uma vez, Alba corou. E afastou-se dele, um pouco, envergonhada da sua ousadia. A orquestra mudou o ritmo para samba e eles voltaram para a mesa.

- Vou tomar a saideira e irei embora. Tenho que acordar cedo, amanhã.

- Já vai? Tão cedo? Pensei que só iria no final... - frustrou-se ela.

- Não, tenho que trabalhar. Sempre saio bem antes de findar a festa. No entanto, se você não estiver motorizada, posso levá-la em casa.

- Eu agradeceria. Vim só e tenho medo de voltar sozinha a essa hora da madrugada.

Pouco depois, paravam em frente à casa de Alba. Ela agradeceu a carona e perguntou quando se veriam novamente. Ele desconversou e não respondeu. Ela lamentou não ter nenhuma bebida em casa que lhe pudesse oferecer, mas ele parecia realmente com pressa de ir embora. Despediu-se dela gentilmente, prometendo encontrá-la qualquer dia. Ela esperou um beijo de despedida, mas ele se fez de desentendido. Deve estar mesmo muito apressado - pensou ela.

Depois que ele deu partida no carro, ela retirou as chaves da bolsa para entrar em casa, ainda frustrada. Só então, percebeu que ele havia colocado várias fichas do clube em sua bolsa. Ficou feliz pois, trocadas as fichas, teria dinheiro para as despesas da semana. Mais uma vez, lamentou que ele tivesse ido. Então, admitiu que ficara interessada nele. Lembrou o seu volume roçando sua buceta e teve um comichão ali. Tentou desviar os pensamentos libidinosos, mas pegou-se alisando a vulva ao tomar banho. Sim, estava muito excitada. Ficou imaginando o tamanho do pau dele. Gostava de homens pausudos, apesar de temer ficar afolozada. Mesmo assim, imaginou o negrão metendo sua enorme peia na buceta dela. Gemeu com esse pensamento. Tentou enfiar um dedo na xoxota para se masturbar, mas teve dificuldades na penetração. Estava muito apertadinha e a barriga proeminente dificultava a masturbação. Enxugou-se e foi para a cama. Lá, sentiu aumentar o tesão que estava sentindo. Já não se aguentava mais. Foi até o guarda-roupas e procurou entre suas coisas. Achou um antigo "Maranhão" que a mãe costumava usar. Nunca fez uso dele por achá-lo exageradamente grande. Porém, aquela noite, havia tirado para se divertir. Não lhe importava as consequências.

Aí, ouviu batidas leves na porta.

FIM DA PRIMEIRA PARTE.

http://www.casadoscontos.com.br/texto/201703444

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